4.3.09

Senta-te, num dia de de Chuva,
À janela de um autocarro,
Senta-te sem antes teres visto o destino;
Senta-te no sentido oposto à viagem.
A chuva a cair:
Vê.
A viagem que passou:
Sente.

Olha aquele que agora entrou,
Sim, aquele que se sentou a frente,
O que fuma o cigarro proibido, fingindo interesse na nicotina,
Está sentado ao sabor da viagem,
Está de costas, não consegue ver nem um pouco do que a viagem lhe reserva.
Vês a diferença?
Tu vês o resto da viagem,
Pela Janela, para além da chuva,
Mesmo que o teu lugar seja o último no autocarro,
O mais isolado:
Tu tens olhos no futuro, ele que vai na frente está de costas voltadas
Para o que vem.

Parou de chover,
O cigarro cuspiu as últimas beatas,
Não há o proibido,
Paragem,
Podes agora sair,
Vais contra as regras,
Sai pela frente
E não andes para trás